As Cores De Um Sonho
O título “Colours of a Dream” foi tirado da música “The Jungle” - The Vines. O Clours of A Dream tem como objetivo divulgar e reportar os acontecidos do dia 17 de outubro de 2009, quando mais de quinze jovens entre 16 e 22 anos se reuniram para uma manifestação contra a homofobia.
Lutamos pelo sonho de ser livres. Pelas cores de ser gay, lesbica ou bissexual.
Tudo começou quando duas meninas se beijavam na frente do Colégio Positivo (sede Vicente Machado - Curitiba) e foram paradas por um inspetor do colégio; levadas à direção e acusadas de estarem fazendo algo errado, além do ‘ato’ ser considerado mera provocação aos meninos.
A notícia da humilhação passada por essa meninas correu solta e logo nós, jovens de espírito libertário e revolucionário, organizamos uma manifestação: O Beijasso.
Com roupas coloridas, cartazes, bandeiras, apitos e animação, nos reunimos na frente do colégio em dois períodos (manhã e tarde) para fazer barulho e mostrar quais eram nossos direitos.
Pela manhã algo tímido… Poucos entenderam… Poucos participaram.
Almoçamos nervosos. 14h40 seria, durante o primeiro intervalo da tarde, o manifesto de grande efeito. Pintamos camisetas com a frase “NÃO À HOMOFOBIA”, sentados esperando ansiosos.
Muitos de nós estávamos com receio. Seria assumir para todos a nossa opção sexual. E ao mesmo tempo assumir para todos nossa ira e angústia. Mas o medo era muito combatido pela certeza de que teríamos ao nosso lado o casal fantásticos professores, Luciana (Geopolítica) e Wella (Português).
Bateu o sinal agudo e estridente. Nada mais ouvíamos a não ser os nervosos apitos que assoprávamos. Seguramos firmes os cartazes em nossas mãos. Tremíamos. Vibrávamos.
Aos poucos os alunos foram chegando e se aglomerando. Não era claro ainda. O que acontecia? Uma barreira foi se formando, um a um os alunos pararam. A multidão foi crescendo. Celulares tiravam fotos e filmavam. Uns vaiavam, outros berravam junto, “NÃO À HOMOFOBIA! NÃO À HOMOFOBIA!”.
Lá de cima do Positivo, mais precisamente da sala de estudos, alunos nervosos começaram a jogar água sobre nós. “Podem jogar quanta água tiverem! Que chova sobre nós! Mas nós não pararemos!”, berrei nervosa.
Chegou então a Prof. Luciana. Carismática e querida por todos, sua presença foi essencial para mostrar que a manifestação era séria. Os inspetores estremeceram, hesitaram em chamar a polícia… E desistiram.
Algum tempo passou e nós continuamos com aquele barulho agudíssimo e irritante de nossos apitos, circulando pela calçada. Parecia durar anos enquanto esperávamos o professor Wella. Então ele apareceu do meio da multidão, heróico. Tirou rápidamente a camisa que usava e vestiu a nossa. “NÃO À HOMOFOBIA!” em vermelho no seu peito. Virou-se para sua amada Luciana e os dois se beijaram carinhosamente.
A multidão vibrou.
E em um ato instantâneo foram um a um os casais se beijando na calçada. Gays, Lésbicas, Bissexuais, Héteros. Eramos agora todos livres. E todos entendiam. Alguns saíram do meio da multidão e se juntaram a nós. Outros foram embora.
Barbara Caramuru, uma de nossos militantes, e nossa líder, explicou à multidão o que havia acontecido, enquanto panfletos eram distribuídos. Na cabeça de muitas pessoas os conceitos sobre um simples beijo, ou até liberdade e amor, mudaram. Na cabeça de outros não passamos de barulhentos e bobos. Pena.
Mas para nós aquela calçada não é mais a mesma de antes. Hoje somos livres para beijar quem quisermos. Somos mais respeitados do que antes. Os estudantes na grande maioria se vêm mais integrados. Tudo graças à nossa luta e ao apoio recebido da Luciana e do Wella.
Obrigada à todos por esse dia colorido na nossa cidade cinza! Daqui para frente não se envergonhem ou entimidem NUNCA de lutarem por seus sonhos, ou…
Pelas cores de Seus Sonhos!
Texto: Camilla Di Lucca
Fotos: Guilherme Akio Nojima Garmatter



